8 de mai. de 2015

Walter Crane ''O pai das ilustrações infantis''

| Quem escreve Kvothe às 22:59





O texto a seguir vai ser como uma biografia do ilustrador, por isso pode sair meio grande... Mas vale a pena ler. Informação demais, nunca é demais :)

A biografia da postagem, foi tirado do livro 'Contos de Fadas' da querida editora Kahar <3



Conhecido como o ''O pai do livro ilustrado para crianças'', Walter Crane( 1845-1915 ) levou para o quarto das crianças livros coloridos radiantes, ilustrações engenhosas e baixo preço. Ilustrador de quase cinquenta livros infantis, Crane fez experiências com a ilustração de cartilhas, abecês e contos de fadas que incluíram Cinderela, Chapeuzinho Vermelho, Barba Azul, O gato de botas e A Bela Adormecida. As fortes linhas negras, cores vivas, superfícies decorativas planas e figuras inspiradas na pintura grega de vasos, que lhe eram características , resultavam em desenhos que elevaram significativamente os padrões para livros infantis. Sua obra foi um verdadeiro marco na qualidade estética dos livros infantis.

O pai de Crane reconheceu cedo os talentos artísticos do filho e encorajou seus esforços apresentando-o William James Linton, o proprietário da firma de impressão e gravura para a qual John Tenniel havia trabalhado. Após um aprendizado de três anos junto a um gravador em madeira, que fortaleceu sua compreensão do ofício, Crane assistiu a aulas de arte na Heatherley's Art School. Edmund Evans, proprietário da melhor firma impressora da Inglaterra, trabalhou com Crane numa série de livros de imagens que vieram a ser conhecidas como ''livros-brinquedos''. Esses livros finos, em formato grande, consistiam em oito páginas totalmente impressas em cores e projetadas de tal maneira que cada centímetro do espaço era usado, desde a capa, inteiramente ilustrada, até a quarta capa, tomada por anúncios. As próprias ilustrações de Crane tinham forte qualidade arquitetônica, sendo preenchidas até a borda com ladrilhos, tapetes decorados, trajes suntuosos, vasos decorativos e paredes forradas de tapeçarias. ''Tenho a convicção de que em todo desenho de caráter decorativo'', ele declarou, ''Um artista trabalha mais livremente e melhor sem nenhuma referência direta à natureza.''

As cenas completamente preenchidas de Crane, com seus contornos pretos e composição unificada, parecem formais e afetadas se comparadas às ilustrações de livros infantis de hoje. Mas, se são um tanto severos pelos padrões atuais, os desenhos exercem também uma atração especial pela nitidez de suas linhas e cores. Como o próprio Crane expressou, '' As crianças, como os egípcios antigos, parecem ver a maioria das coisas de perfil, e gostam de declarações definitivas no desenho. Preferem formas bem-definidas e cor viva vívida, ostensiva. Não querem se incomodar com três dimensões. Podem aceitar representações simbólicas, Elas próprias usam o desenho...como uma espécie de escrita de imagens, e acompanham avidamente uma história ilustrada.''

Com os livros de Crane, que tinham de ser produzidos em tiragens de 10.000 para serem lucrativos ao preço de seis pence o exemplar , os livros infantis começaram a assumir o caráter de uma indústria. Há um toque de ironia nisso, pois o próprio Crane havia se associado a William Morris e John Ruskin para assumir um papel de liderança no movimento Arts and Crafs. Em 1884 ele foi eleito presidente da Art Worker's  Guild e dedicou muita de sua energia à supressão das barreiras entre artistas e artesões. Crane trabalhou em diversos meios, de óleos  e xilogravuras a cerâmicas, têxteis, tapeçaria e papel de parede. Um homem que tinha a sensação de carregar o socialismo em seus genes, fez campanha por suas causas políticas socialistas e ingressou na Fabian Society em 1885.

Se o trabalho artístico de Crane pode ter algo pomposo, o artista possuía um encanto tranquilo que lhe valeu muitos amigos. Em casa, com a mulher e os filhos, mantinha uma coleção de bichos que incluiu, em épocas diferentes, uma coruja, um magusto(Nem sabia que existia esse bicho), coelhos e um Jacaré( O_o). Durante algum tempo trabalhou com um esquilo empoleirado no ombro. Em seus último anos chamava-se a si mesmo Commendatore Crane(Não confundam com aquela novela ridícula) (O rei da Itália lhe havia dado esse título outrora) e se divertia com o papel de ''autoridade''. Sua assinatura, um crânio [Crane] circundado por suas iniciais, acrescenta um toque caprichoso a muitas ilustrações. Numa declaração sobre seu amor à arte da ilustração, Crane revelou que possuía o coração de criança  de que falava com tanta eloquência: ''O melhor de desenhar para crianças é que se pode dar rédea solta à imaginação e à fantasia, e há sempre espaço para o humor e até para o patético, tendo-se a certeza de ser acompanhado por aquele senso perene de deslumbramento e romance no coração da criança - um coração que em alguns casos, felizmente, nunca cresce ou envelhece''.

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